Sobre o céu de Vicente e os corpos de Judas

Naquela noite não choveu no céu, mas nas alamedas e becos e postes e vias. A respiração cessada, interrompida, breve, o último soluço faz a todos suspirar. A doideira aqui em baixo continua, e a juventude transborda a bordo de zeppelins imaginários de chá e doce, e ironia trágica, com tempero ácido de pó de bala, absoluta. Nessas ondas vibratórias, das cordas, dos pensamentos instantâneos, escopografia repleta de som, e luz, e transmutação.

Alquimia de paixão e paz, cor de coração direto ao ponto, micro e completo, circo reverso de focinhos educados que aprendem a sonhar. No registro, na memória, em cenas próprias sem atores, nós loucos, desdobrando tempo em canções elétricas com psicofonia cósmica.

Dança, nas voltas por balanças, pulando feito crianças, surgindo, fazendo mudanças, transformAÇÃO, o nome é HOJE.

O rosto da multidão do inconsciente, é a face de Krishna num quarto quadrado do neon do grave do instrumento corpo. No reggae, no skate, no surf de experiências, na ladeira, na praia, no fluxo de consciências. Esse ardor psicodélico nos une num sopro de aventura pelo encanto da emoção, e vamos de peito, não vamos? Não foi pra isso que viemos?

Hoje o céu está cinza sobre Vicente, o morro, os mortos e vivos co-fluem. Olhos órfãos de irmão entre lentes e filtros livres a jorrar a alegria triste que brota dos corações, da saudade curta que se estende, até o reencontro.

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